Nascida em Valença, Estado do Rio, a 7 de fevereiro de 1902, CLEMENTINA DE JESUS ainda menina, acompanhava a sua mãe, com a incumbência de acender seu cachimbo que, lavando roupa, fumava. Enquanto lavava, Dona Amélia cantava lundus, jongos, corimas, modas, pontos, chulas e cantos de trabalho, que ficaram guardados na memória de Clementina que veio a registrá-los 50 anos mais tarde.
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Um diamante bruto. Assim se poderia definir a nossa Sagrada Flor , que deu inicio à sua carreira profissional aos 48 anos de idade, depois de ter trabalhado por mais de vinte anos como empregada doméstica na casa da mesma familia que gostava de ouví-la enquanto lavava, passava a ferro ou preparava comida, com exceção da dona da casa que dizia que sua voz a irritava por parecer um miado de gato.
Seu canto rouco e quase falado estava fora de qualquer padrão estético e até hoje sem qualquer paralelo entre as cantoras brasileiras.
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Sua ancestralidade africana permitiu que ela estabelecesse uma ponte do riquíssimo folclore dos terreiros com a linguagem urbana e contemporânea. Clementina foi o retrato do sincretismo Brasileiro. Das rezas em gege e nagô e cantos em iorubá que ouvia de sua mãe e dos hinos católicos que cantava no coro da igreja; dos pontos de candomblé e dos sambas de roda das festas das quais participava.
Em 1963 foi convidada por Herminio Bello de Carvalho, que a ouvira anteriormente numa festa, a subir ao palco do Teatro Jovem, em Botafogo, abrindo o movimento Menestrel, que unia os eruditos aos populares.
A repercurssão foi enorme, e inspirou Carvalho a dar sequência. Foi criado o musical Rosas de Ouro. Nele, Clementina contracenava com a cantora de Teatro de Revista, Araci Cortes e tinha como acompanhantes jovens talentos, como Paulinho da Viola, Elton Medeiros e Nelson Sargento, entre outros.
Clementina não foi à escola para aprender técnica vocal, desenvolveu seu canto durante o trabalho do dia a dia. TINA ou QUELÉ como era chamada pelos amigos gravou ao longo de sua carreira 9 LPs e 3 compactos e participou de discos de outros artistas, como por exemplo
Milton Nascimento.
Apresentou-se também na África e Europa. Chegou mesmo a cantar a Marselhesa, hino nacional francês na própria França. Não foi grande vendedora de discos e como disse Carlos Calado, crítico musical "Irônico e triste, mas em certos países as bijouterias valem mais que os diamantes brutos."
Nossa Sagrada Flor se foi em julho de 1987 aos 85 anos de idade, deixando um vazio mas a memória de uma raça registrada para as gerações futuras.
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