CONTINUAÇÃO...
Desembarcados no Brasil os negros eram conduzidos para a casa do comum senhor, que também é do navio e de toda a negociação. Ali para que todos vissem os negros eram separados, os grandes dos pequenos, as pretas maiores e menores como mercadorias e quando caía a noite eram recolhidos. E aqui no Brasil, a terra da abundância onde tudo era barato, a alimentação dos negros escravos continuava sendo escassa.
As torturas continuavam e mediante a elas muitos negros passavam navalhas no pescoço, outros lançavam-se aos poços, outros precipitavam-se das janelas, de grandes alturas, e outros finalmente matavam seus senhores.
Quando Charles Darwim, o pai da teoria da evolução das espécies, esteve no Brasil, muita coisa o impressionou: a variedade de pássaros, frutos etc. Foi no entanto a escravidão o maior choque que levou. Na travessia de um rio ocorreu de um negro deixar afundar sua mala e Charles Darwim o repreendeu gesticulando. Automaticamente, o negro arriou os braços e, com pânico nos olhos, apresentou a cara para ser esbofeteado.
O negro africano , antes de vir escravo para América, era um ser inteiro : corpo e alma livres . Os escravistas não tinham interesse em sua alma, ou na sua cultura. Queriam apenas o seu corpo. A religião, a língua, a arte, a ciência, os costumes, nada disso interessava. Como os próprios escravistas se habituaram a dizer queriam daquele continente apenas “fôlegos vivos”.
Para ter o africano como escravo era preciso lhe suprimir a cultura – a alma – transformando-os em bicho ou coisa. Tiravam-lhe o nome tribal, impunham-lhe outro, português; proibiam-lhe a religião ancestral, e como se não bastasse os escravistas completavam o serviço com a pauleira.
Não o batiam por maldade, embora isso também ocorresse. A finalidade da pauleira era esvaziá-lo da parte propriamente humana que todos os homens possuem e são homens precisamente porque a possuem. Assim “coisificado”, o negro africano estava pronto para ser escravo.

Bibliografia:
Zumbi, Joel Rufino dos Santos – Ed.Moderna
Johan-Moritz Rugendas. Viagem pitoresca através do Brasil. São Paulo
Luís Antonio de Oliveira Mendes. Memória a respeito dos escravos e tráfico da escravatura entre a Costa d´África e o Brasil (1793).
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