Os negros eram amontoados nos navios, algemados nos pés e nas mãos e presos uns aos outros por uma comprida corrente. Sofriam com a falta d´água e com a alimentação que lhes era dada, sem tempero com exceção do sal, baseada em feijão, milho e uma pequena parte de um peixe salgado chamado savelha, que os habitantes dos portos sabiam ser prejudicial à saúde.

A falta d´água era a causa mais freqüente da revolta dos negros e muitas vezes em desespero, furiosos atiravam-se contra os companheiros ou rasgavam em pedaços seus próprios membros.
Um copo d'agua por três dias chegava para impedir a morte de um negro. Calculava-se sobre essa base a provisão de água para viagens às vezes de quatro meses. É o que afirmam cronistas da época. Nada mais natural que o desenvolvimento do mal-de-Luanda e do raquitismo. O mal de Luanda era considerado contagioso. Viu-se de terra lançarem ao mar, de um navio de negros, alguns tonéis, estes tonéis continham os escravos ainda vivos, atacados do mal de Luanda, que o capitão, para evitar o contágio dos outros fazia perecer nas ondas.(Frederico Leopoldo César Burlamaqui, Memória Analítica acerca do comercio de escravos e acerca da escravidão doméstica, Rio de Janeiro, 1837,p..25)
Quando o capitão negreiro era muito atento às condições de higiene dos negros, fazia-os subir do porão à ponte, quando já entorpecidos, e obrigava-os a dançar ao sol durante certo tempo. Os negros, já quase uns molambos, podres de fome, de sede, dançavam à força de chibatadas. Foram vistos escravos subirem do porão à ponte, e quase delirarem de alegria ao poderem respirar de novo o ar fresco.
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