Neto de escravos e com a pele negra, Owens era a verdadeira antítese do que pregava o nazismo: a supremacia branca, de preferência alemã. Além disso, era um atleta verdadeiramente nato. Sem muito treinamento, aos 16 anos já tinha batido todos os recordes norte-americanos em sua categoria.
Mais tarde, já na faculdade, em um torneio de atletismo entre as dez maiores escolas da região dos Grandes Lagos, no norte dos EUA, Owens fez história. Em menos de 45 minutos, já havia derrubado cinco recordes mundiais e igualado outro.
Entre os dias 3 e 9 de agosto de 1936, em pleno Estádio Olímpico da capital alemã, Owens calou a torcida nazista e se converteu em um dos maiores atletas olímpicos da história, com cinco medalhas de ouro.
A primeira veio na final dos 100m rasos. Jesse Owens terminou com o tempo de 10s3, igualando o recorde olímpico estabelecido quatro anos antes. Na final dos 200m rasos, dois dias depois, ele novamente venceu com recorde olímpico, cravando o tempo de 20s7. Para chegar em primeiro, Owens também teve de vencer a chuva e o vento de Berlim.
No dia 4, o norte-americano travou uma das disputas mais emocionantes dos Jogos, contra o alemão Luz Long. Ao chegar ao estádio, Owens deu um salto de reconhecimento, que os fiscais validaram, tirando uma de suas primeiras tentativas. Em seguida, nervoso, ele queimou seu segundo salto, mas se recuperou no terceiro e se classificou para a final. Em sua última tentativa, saltou 8,06m e conseguiu o ouro.
Mais tarde, conseguiu seu quarto ouro no revezamento 4x100m rasos. A equipe norte-americana cravou o recorde mundial, com 39s8.
Além de Jesse Owens, incontestavelmente o maior nome dos Jogos, a Olimpíada de Berlim, em 1936, também destacou outros atletas negros, que ajudaram a quebrar o mito da superioridade ariana, que o governo nazista pretendia confirmar.
|