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CINZAS DA ESCRAVIDÃO

 

Sob as cinzas da escravidão

Perambulam as almas dos meus ancestrais

Em busca de justiça, clamando pela paz

 

Sob as cinzas da escravidão

Ouço gemidos do meu povo

Que derramou todo seu sangue

Nas roças, "negreiros" e canaviais

Ao rufar dos tambores...

Tendo como maestro um capataz

 

Sob as cinzas da escravidão

Vive o negro liberto

Sem condições de prosperar

Sem nome e sem sobrenome

Sem terra para habitar

 

Sob as cinzas da escravidão

Vive a mulher negra a rezar

Pedindo a Xangô que abençoe seus filhos

E lhe defenda na luta contra o inimigo

Alvo nem sempre visível

Mas, de pontaria certeira

Fazendo lacrimejar ao seu "flechar"

 

Sob as cinzas da escravidão

Vivo eu, meus pais e meus "irmãos de cor"

Na esperança de que um dia

Possamos, todos, coexistir

Sem consentir que a cor da pele

Seja um pretexto, seja agente segregador

Anabel M. Silva

 
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